quinta-feira, 9 de abril de 2015

a mais patética demonstração de solidão: a oferenda irreticente e incondicional de si... tristeza que escorre gota de gozo forçado... o eriçado ansioso dos pelos esperando pelo...

domingo, 29 de março de 2015

na turbulência da dúvida, há certeza. há certeza na turbulência da dúvida. a certeza. a certeza na turbulência da dúvida. à certeza. à certeza na turbulência da dúvida.


quinta-feira, 26 de março de 2015

Coisa

Vem daquele grito entalado a plenos pulmões, que transpira e dói e ensurdece sem som algum. Aquele berro primal, animalesco, de peito arrebatado e nervos florescendo à pele. Vem da urgência do distante, do saudosismo do que nunca houve, da utopia distopizada. Vem dessa raiva, desse ódio intenso que carrego comigo, o ódio de te amar.

quinta-feira, 5 de março de 2015

É só questão de tempo, amor; Ninguém é insubstituível. Há deus, amor, para mim. Para ti, amor, adeus.

terça-feira, 3 de março de 2015

Premonição

Aquele sorriso o assombraria por algum tempo. Era sua única certeza no momento. Conhecia-o. Conhecia o sorriso. Era o mesmo sorriso que tinha quando deitava-se com ele, o sorriso de carinho, de prazer companheiro. E agora estampava o rosto dela, como tantas vezes presenciara, como deliciada calmaria.
Só que dessa vez o sorriso esmigalhava-lhe o coração. Já não estavam juntos. E, embora fosse ele quem a tocava, provavelmente não habitava a mente da menina - menina? Já era mulher. Sempre fora -, não era ele a causa do sorriso. Não importava, realmente. Mesmo que fosse, ele ou talvez o eco de tudo o que jazia ainda semi-enterrado, como as ruínas de uma civilização levantadas pelo vento - o vento de seu toque, o vento do sorriso... Mesmo que fosse o motivo do sorriso, era questão de tempo, apenas, até não ser mais. Ninguém é insubstituível, pensou no mesmo instante em que a descarga elétrica da certeza melancólica preencheu seu corpo, dando vida nova às engrenagens mortas da velha civilização... Lembraria do sorriso...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Desatino

Sentia-se péssimo. Era como se enfiasse uma chave phillips enferrujada em uma ferida recém-cicatrizada, e a girasse lenta e excruciantemente. Mas precisava saber... certo? Precisava mesmo? Agora duvidava disso... Mas já era tarde. Seja lá qual fosse o resultado desta merda toda, chegaria logo.
Era terrível... Ainda a amava? Achava que sim e achava que não. Esperava que não. Amava a outra, a nova. Certo. Sim, por certo que sim. Mas então porque aquela vontade irritante de chorar? As memórias... Nauseante...
Desejava urinar. Já urinara algumas vezes ao longo do dia, a frequência aumentando com os batimentos cardíacos. Sentia que poderia sofrer um infarto e morrer mijado. A ideia abriu-lhe um tímido sorriso. Não havia muito espaço para o humor, tentava manter-se frio. Já repassara o plano dezenas de vezes. Sentariam, ele lhe faria as perguntas que queria - precisava - fazer e ouviria, sereno - pelo amor de Deus, sereno - o que quer que viesse. Deus, como precisava mijar. Apertava a virilha com a mão, meio que para confirmar a vontade.
Diabos, pra quê isso?! O que faria se ela ainda o amasse? Desejava encerrar tudo, mais porque tinha certeza de que ela já o fizera. Era certo, ainda a amava... Percebeu isso com amargor. Mas ela nunca realmente retribuíra. Não, isso não era verdade... Bom, suponho que descobriria logo, certo?... Desejava mesmo isso? Desejava mijar.
Pensava na outra com carinho e piedade... Se ela pudesse escutar este tenebroso monólogo ficaria devastada. Suspirou com culpa e fitou por algum tempo as próprias mãos, as mãos de um desgraçado.
Acalmava-se agora... Que se foda, pensou, mas a chave phillips ainda pendia balançante de seu peito, como um horrível polígrafo o denunciando para si mesmo...
Já chegava lá... E ela o esperava para "conversar", como ele mesmo havia colocado.
Olhou pela janela do ônibus e a avistou com terror.
Estava linda.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

fútil saudosismo póstumo

O vento que nos soprava aquele dia
Perdeu sua força, morreu...
E a vida que nos brindava a alegria
se entorpeceu...

E do sentimento quente, fria agonia
E do brilho do olhar
ausente a magia
Somente a gélida estia

O doce sonho
que se vive por buscar
Jaz morto, mal enterrado,
em túmulo torto

[Posto
que após a morte
vem o descanso
descanso...
manso... manso...

Posto
que após a morte
finda o tumulto
o luto
luto... luto...]

O vento que carregava nossos sorrisos
Perdeu sua força, morreu...
E o amor que mantinha-nos vivos
Seco, no deserto, padeceu.