sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

esse saudosismo proustiano ainda vai me matar... morte à saudade do que nunca foi! que jogo perverso de realidades, buscando tempos perdidos e eras douradas, fazendo o presente, já sempre, sempre sujo e ingrato, parecer ainda mais imerso em sua própria imundice. e cai o castelo de cartas e por baixo vemos que tudo sempre foi o que é, afinal - puramente... anti-higiênico

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Se a solidão me isola e me torna impotente, é ela, também, que, por ironia, me concede o ímpeto para conquista da minha própria independência. Não deve ser coincidência; aquele que é só, é também aquele que mais conta consigo mesmo. É preciso estar lá para si, se não há mais ninguém. Do resto, apenas abismo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

sinto a tensão meio seca e molhada no peito,
e amaldiçoo as lágrimas que não querem rolar,
fazendo, do meu olho apertado, tumor ardido
que quase não consegue enxergar.

a água rola no corpo, quente
tentando lavar
o que quer de mim que agora morto
em respiração deficiente,
em pulsação ausente,
em consciência inconsciente...
em luto, inquieto e silencioso

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

carta do adeus



Você me deixou... as mãos que pegavam na carne macia e morna agora molhadas de dor, lágrimas e suór, escorregam no mármore frio. Os sorrisos e prazeres converteram-se em caretas e o nada - aquela expressão inexpressiva, representação dolorosa da apatia - fez seu ninho em vida. insossa vida... você me deixou e levou consigo toda a cor do meu mundo. fica aquela massa cinzenta que nada diz, nada forma... te vi outro dia, ponto de cor na névoa cor de coisa alguma. estava feliz... que devo sentir? dor? contemplação? raiva? angústia? vergonha? faço de ti minha algoz. se está feliz, ótimo, que fique assim, mas que saiba também que me matou quando insistiu tanto em viver.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Vê se aguenta

Então lá vai! Eu te amei! Eu te amei com a paixão mais gutural e profunda que pode haver num ser, com o sentimento desesperado da necessidade de ficar junto, com o coração-infarto fulminando em peito longe e perto de seu corpo, sempre a espera de um contato, um contato qualquer. Mulher, eu te amei de largar tudo e vir correndo aos seus braços, de tosar a alma e deixar apenas aquele tumor frágil e bobo que é a sua parte nela. Te amei de dizer que não aguentava mais não te ter, te amei de não poder mais com o mundo, de pensar em morte prematura. Cacete, eu te amei muito, mas muito, mas te amei pra caralho mesmo. Agora... bom, agora, você é insuportável e não do tipo de insuportável que é difícil ficar junto por dor do que poderia ter sido, do que nunca, nunca, será... Não, é o insuportável de puta merda que saco, lá vem ela de novo. fazêuquê? C'est la vie.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

incapaz

Não sei escrever poemas de amor. Não sei escrever coisas muito complicadas... Não que eu não as aprecie, não é isso. Encanta-me ler aquele linguajar erudito enrolando a língua imaginária da minha voz mental. Mas não sei fazê-lo. Passaria despercebido para quem não quer ser escritor, mas eu quero, o que é terrível! Quero escrever desde criança, nunca soube como fazê-lo. Receitaram-me um curso de escritor, mas não acredito nesse tipo de coisa. Já falaram de um outro, para aprender a escrever contos, romances, roteiros, etc, etc... nada... Já li diversos autores, cada um me ensinou um pouco da arte de escrever e, mesmo assim, nada. Posso reconhecer seus manejos e brincadeiras com a língua, mas usá-los, fazê-las, criá-las? Jamais! Ai de mim! É tanto frustrante que chego a ficar dias e dias deprimido, pensando em como seria a vida se soubesse escrever... Aí, quando vejo um belo poema de amor, aquece o coração e penso que bonito, mas pena que eu não sei escrever poemas de amor.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Te vi naquele futuro perdido em que não me encontro
Tavas feliz
Tavas mais feliz do que hoje.
Tive ciúmes...
Tive incertezas...
Te vi naquele futuro, achado de seu coração.
Não me encontro nele.
Não me encontro.


Aquele doce, doce sabor
O veneno podre, doce
que desce doce a garganta
que sobe amargo teor
vômito de quem prova
sem saber, da podridão do amor
Solidão compartilhada.


Aquelas almas doentes
tão doentes...
que morreram sem nunca descobrir
se serviram para alguma coisa - não


Ah! Qual desgosto não se faz presente na linda capela do amor?
Aquele santuário dos iludidos, donde se prega o auto flagelo e as falsas esperanças...
Sim, sim, o amor... aquela alegoria pobre que se alimenta da fome que os homens tem por felicidade. felicidade não existe, deus não existe e o amor não existe. existe o desejo, existe a vontade mesquinha de posse, existe a putrefação humana, a escancarar as fétidas bocas e a entorpecer os narizes dos malditos que a respiram. existe a crise, existe a fome, humanidade faminta por atenção, faminta por ser algo diferente, ter algo a mais. amor não existe. existe o nosso ego, enorme, a excretar a bile que corrói os corações. as palpitações de falsa esperança, cada batida um prego enferrujado encrustado em couro vivo, vermelho, muito vermelho. masoquismo... isso existe. dor, isso existe. nada mais. solidão... isso, isso, mais que tudo, existe. e, ah, como existe. como existe! é ela, a solidão, que nos fez criar o amor. fugir dela, senhora dos homens, que comanda suas mentes e pés e mãos e corpos retorcidos em asmática respiração esse é o objetivo mas não eu faz de mim seu solidão fazdemimsó