o que é o sexo? um momento frívolo de prazer, diversão, passa-tempo carnal... uma ligação íntima... assunto de bar, placebo pra solidão? dá medo e tenta afastar o medo, abre e fecha, tal qual os movimentos pulsantes - acompanhando o sangue como lombada orgânica. o vai e vem de prazer e tensão, cansaço e leveza, vida e morte. saúde e doença. entrar e sair, permanecer e fugir. gritar, calar, sorrir, chorar. o que é o sexo? tema de poesia barata, voz em off de filme pretensioso com encadeamento lento. sexo é violência, é relação de poder, é machismo, misoginia. mas é quebrar, torcer, desmaiar, desarmar. palhaçada... no fim das contas não é mais do que uma coisa qualquer. um saco essas pessoas que tentam achar significado profundo no ato de respirar. sexo é respirar. é o que qualquer um pode fazer e faz, inevitavelmente.
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olhar por sobre os ombros e ver, lá atrás, o colorido pomar de sensações passadas... lembrar, os olhos clichês semicerrados pela nostalgia doce, como era boa a arrogância de se achar melhor do que tudo e todos. aquele pomar que só poderia dar frutas podres hoje seca diante da colheita: a mais putrefata feira. a arrogância me levou aos céus e a realidade das coisas, como a gravidade, me fez tombar. ainda de ossos quebrados, tento cavar a terra com os dentes, cuspindo novas sementes que ainda não encontrei. mas sei que talvez não encontre tempo para substituir o podre pomar que levou anos para crescer. gostaria aqui de reafirmar que, apesar de fétido, era lindo. talvez alguma feia flor apareça neste deserto e me contemple com algum delicado perfume.
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tenho certeza de que você teve suas razões. e algumas vezes penso que talvez tenha errado mais do que você. é certo de que nunca mais nos veremos como antes, quanto mais você ler isso. tenho raiva e arrependimentos, mas também confusões e curiosidades. o que foi real e o que não foi? ironia tal pergunta vir de alguém que joga com a realidade. a falência dos conceitos pós-modernos está justamente em precisarmos de um chão para nos sustentar. nem que seja um pé - não, um dedo! um dedo basta para gritar todas as mentiras sobre as verdades. mas precisa um dedo. você me amou? você jurou até o fim, até o derradeiro desastre, que sim. nunca acreditei... mas também nunca entendi se não acreditava em você ou em mim. ultimamente tem sido difícil pensar sem os clichês. Mas, falando nisso, aí vem mais um: o clichê só existe porque ele deve espelhar a realidade, não é mesmo? de todo jeito, contra o clichê, apenas a sinceridade: não espero que você seja feliz [e nem que a desgraça lhe venha], só gostaria que não voltasse a me assombrar, por favor. continuando com a franqueza, estou de saco cheio de revisitar nossas memórias que são tão, mas tão curtas e finitas, que não consigo entender porque sua dança em minha cabeça não termina. é como um daqueles gifs horrorosos e entediantes mas que, por algum motivo, estão sempre voltando. em looping. nesse momento, não sei nem dizer em que parte do mundo você está. isso não é bom nem ruim. penso que gostaria de dizer foda-se para tudo o que te envolve mas, ao mesmo tempo, penso que talvez gostaria de saber. queria querer te odiar. ou não. ou apenas não queria querer querer te odiar. talvez o ponto seja querer não querer nada que te traga. mas aqui estou escrevendo para o vazio e fingindo que ainda nos falamos. e todo grito contra a parede volta a mim. VAI SE FODER. foi pra parede, que gritou de volta. é o assombro dos ecos e reflexos e dos abismos niilistas. o que nos olha e se assemelha a nós e, por isso mesmo, é tão mais assustador. é como encarar as próprias olheiras e cabelos brancos e constatar a falência de si. Isso que me tornei? Um buraco, um nada, um VAI SE FODER?! Encarar e lidar... pular no abismo é pular em si e é disso que tenho mais medo. Se já é sinistro seu mero vislumbre, que horrores não encontrarei em seu breu? Viu só? Não é mais sobre você. Nunca foi sobre você. Você já foi real, agora é só um dispositivo. Eu rio melancólico toda vez que me pego num pensamento, como se apenas então tivesse percebido minhas intenções. E aí está, ao vivo e a cores, todo o fluxo que me levou a perceber que você, como tantos, não existe. Sou novamente eu falando de mim para mim. Já estou no abismo a muito tempo.
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