terça-feira, 15 de março de 2016

Solidão vem com uma certa vertigem. É o tempo de olhar para baixo e perceber a queda. É a pontada da cãimbra que te acorda, antes mesmo da dor chegar. O desespero de perceber o terrível inevitável antes de acontecer. Solidão é como o fôlego que não conseguimos dar quando nos afogamos. Como sentar sozinho em praça de shopping. Como pedir presente de natal pro papai noel, sem papai noel algum para te dar. É consumo sem vontade. É violência sem reação. É destruição-intempérie. Erosão do sentimento. Lentamente sendo consumido - ou desgastado - pelo que nos cerca. Ar. Tão vital e, ao mesmo tempo, destrutivo. Ar. Que respiramos e fazemos manter vivo o vácuo que há no peito. Ar. Que queima a garganta fechada pela contração involuntária que o ato de chorar provoca. Ar. Que é desejado fora. Ar. Que insiste em nos manter. Que insiste em esfregar a vida, com toda sua injustiça, toda sua malícia, na nossa cara. Que insiste em insistir em ser tragado. Para sermos escurraçados. E abandonados. E feridos. E fodidos. E quebrados. E destroçados. E sofridos. E mortos. E ressuscitados. Para sermos assassinados novamente. Para sermos sozinhos.

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