domingo, 11 de outubro de 2015
Terei sido precipitado ao enterrar meu tesouro mais precioso? Cultivado por anos pela doença, simplesmente largado, como se alguém respeitasse os alertas do ministério da saúde. E agora, que pratico os atos da solidão em teu nome, penso, com algum pesar, se não gostaria mais uma vez de me intoxicar com sua fantasmagórica presença. É bem verdade que enterrá-lo fez meu sangue pulsar mais livre. Mas liberdade não é escolher a própria danação? Liberdade não é sangrar gota a gota, em quase eterno desespero, como Prometeus, ter o fígado devorado pelos abutres, reconstituído e, processo eterno; mas tudo, tudo em nome de dar voz aos sentidos, de doar fogo, pertencente aos deuses a quem é feito de barro? Que será meu prometeico que carece de fagulha? O adormecimento dos sentimentos extremos, aqueles que nos levam a questionar se os abutres não valem a pena? O amor por um fantasma... Que sisma, que sina! Mas é que nesse fantasma vejo minha infância, quem eu fui, quem eu gostaria de ser. É neste espantalho espectral que se encontra minha redenção diante do fracasso, da impotência. Não... não sacrificarei...
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