domingo, 23 de março de 2014

Pra não dizer que não falei do amor.

Plagiando uma amiga, resolvo fazer referência à música do Vandré. Mas, diferente dela, minhas referências à arte e à música terminam no título. Não falarei tampouco do amor... De fato, eu gostei do uso que ela deu pra frase e só por isso resolvi plagiar. Que importa? A gente vai vendo, com o tempo que nos carrega e desgasta, com essa chuva que começou a cair neste exato momento, fotografado para sempre nestas palavras - chuva boa, forte e brava - que as palavras que a gente escolhe para denominar os sentimentos que nos assolam (ah, sim, boa palavra. vou deixar) não são mais que arbitrárias... não falarei do amor, porque amor não existe. Amor não existe porque essa coisa devastadora a que chamamos de amor só pode ser inominável. Não tenho bases teóricas ou empíricas para tal afirmação. Só sinto que se já amei, e gosto de pensar que já o tenha, o sentimento foi tão variavelmente flexível que não dá pra pôr tudo sob o mesmo título. E eis que me surge a inspirada frase, novamente plagiada da música nacional: O amor errou (obrigado Lobão, de quando não era conservador enlouquecido). Errou feio, errou rude. O amor erra, é o que ele faz. errou tudo. não dá pra dizer que aquela dor enlouquecida, que dá insônia, úlcera e labirintite, é a mesma coisa que o plácido conviver da rotina de um casal. Céus! Infernos! Purgamentos! Essas coisas todas... Na verdade, leitor, divago... e não quero me estender... tira você suas próprias conclusões... Vou-me indo.

sexta-feira, 21 de março de 2014



respiram fundo... e bradam. como se não houvesse amanhã. e não há. e sabem. que não haveria de outra forma.
respiram fundo... e berram. os pulmões em chamas. e lampejam as lágrimas do desespero. e da fome. e da coragem.
respiram fundo... e gritam. os músculos tensionados. as mãos apertando com vontade os ancinhos. e as foices...
respiram fundo... e trovão! pelo que podem ter! pelo que deveriam ter! pelos seus filhos! pelos seus filhos!
respiram fundo... e partem.
respiram fundo... e lutam.
respiram...


terça-feira, 18 de março de 2014

hápátridas esquizomasoquistas (plan/pro)fetando no brazil

vivo os dias dormentes daqueles cuja bússola da alma foi perdida.
daqueles que fizeram da deriva, lar.
daqueles que respiraram o próprio cheiro pútrido da humanidade
- e se enojaram
- e vomitaram as coisas boas
- e fizeram de sua língua metralhadora de festim
- e morderam, os dentes careados, a bandeira nacional
- e suportaram os assassinatos, as torturas, os exílios e as indiferenças
só para se verem aqui.



de que adiantou?
seguem dor mentes.
sigo junto.

segunda-feira, 17 de março de 2014

troveja pelo céu estrelado
o metal sendo retorcido,
em agonia de torturado.
e os milhares de corpos suados enfileiramo-nos
e ignoramo-no.
em silencioso consentimento
ao vandalismo diário
a que somos submetidos.
e, como gado,
vamos passo a passo para o destino...
é o holocausto do transporte público.

saspurtariadeviado

Erro à luz do sol;
Exposto
Eros à luz do cu;
Exposto

Vadio; Viado;
Bêbado; Safado;
Sofrido; Mordido;
Gozado

Erro na multidão;
Vago
Eros no quarto de motel;
Solto

Felicito tua chegada,
Oh, Mastro primo e absoluto
A me adentrar com violência bem vinda
Pinga em mim teu suco
Que jorro em ti meu tudo.

Erro na solidão;
Fraco
Eros na confissão;
Trato

Éramos em comunhão;
Os olhos teus e meu peito
Ofegante e largo

Vulto
Enorme e vibrante
De toque estuporante
De apavorante beleza...

Te amo! Te amo! Te amo!
Te chamo!
Vem!
Parto!
O rebento será a vida!

domingo, 16 de março de 2014

sigo só,
e a gentil senhora que me acompanha mede meus passos.
"siga só", sussurra-me nos ouvidos.
obedeço.
por isso,
se me oferece orgia,
peço masturbação.
e se me oferece a glória,
exijo anonimato.
e se há cidade,
mato.
se é livre,
muro.
se é carinho,
murro.
se é junto,
afasto.
se é doce,
amargo.
se é profano,
sacro.
se é tudo,
vácuo.


terça-feira, 4 de março de 2014

vi aquele rosto infantil estampando sua pele branca, os olhos admirados e sonhadores e, sem te conhecer,  amei.