domingo, 11 de outubro de 2015
Terei sido precipitado ao enterrar meu tesouro mais precioso? Cultivado por anos pela doença, simplesmente largado, como se alguém respeitasse os alertas do ministério da saúde. E agora, que pratico os atos da solidão em teu nome, penso, com algum pesar, se não gostaria mais uma vez de me intoxicar com sua fantasmagórica presença. É bem verdade que enterrá-lo fez meu sangue pulsar mais livre. Mas liberdade não é escolher a própria danação? Liberdade não é sangrar gota a gota, em quase eterno desespero, como Prometeus, ter o fígado devorado pelos abutres, reconstituído e, processo eterno; mas tudo, tudo em nome de dar voz aos sentidos, de doar fogo, pertencente aos deuses a quem é feito de barro? Que será meu prometeico que carece de fagulha? O adormecimento dos sentimentos extremos, aqueles que nos levam a questionar se os abutres não valem a pena? O amor por um fantasma... Que sisma, que sina! Mas é que nesse fantasma vejo minha infância, quem eu fui, quem eu gostaria de ser. É neste espantalho espectral que se encontra minha redenção diante do fracasso, da impotência. Não... não sacrificarei...
sexta-feira, 31 de julho de 2015
terça-feira, 28 de julho de 2015
Não foi acaso, claro, que eu tenha dado de cara com um dos meus trabalhos de escola de infância enquanto fazia as malas. Que o dia esteja com aquela umidade meio quente de verão, embora seja inverno, e que me faça lembrar das noites próximas do Natal, quando, já de férias, eu ia naquele crescendo de empolgação que tem um pouco a ver com o feriado em si, mas que tem muito mais a ver com a emoção de apenas ser criança e estar de férias... Aquelas noites quentes e úmidas de verão sempre foram uma memória querida a ser guardada no peito... como a noite antes da minha mudança, de sair da casa que passei a maior parte da minha vida, mesmo que não seja tanto assim... tudo isso é reconfortante e assustadora ao mesmo tempo... as realidades da vida se abrem cada vez mais pro meu corpo ainda frágil do cuidado dos pais... mas que pede por um salto para fora daqui, para fora da segurança... minhas costas doem e eu já penso ser quase um velho... sorrio e pensa ainda em todo o sofrimento, dor, dificuldade e stress pelo qual vou passar antes de poder reivindicar o título. as rugas não vêm a toa... mas... certamente... deve ter coisa boa a me esperar também... voltemos então.
segunda-feira, 8 de junho de 2015
que sordido humor tem o destino, o karma... sombrio e ironico, como tem de ser, me colocar nesse caminho; disrupcao em sentido de queda livre. é o empurrador sendo empurrado, os ossos se quebrando ao bater a carcaça ja desesperançosa e frígida, na dureza cinzenta do cimento quente do Rio de Janeiro. é, sou, o caçador que vira presa, provando de seu próprio vício-ocupação, a experimentar o terror indizível da inevitável morte que se aproxima. é o fim, é o fim, é o auto-engano, autovia expressa para o derradeiro fechar de olhos, o arder salgado da lagrima que resfria o olhar cansado de quem muito esperou e muito perdeu, tudo perdeu, pois nao havia mais nada. nao. há. mais. nada. todo sentido, direcao e trajetoria foi para o espaco numa implosao insana de referenciais. é o não ser, enfim, como esperou por isso, se apoderando da existencia! a percepcao foi apoderada, nada percebo, nada sinto, nada... nada... nada... os olhos ainda ardem... maldito karma... maldito destino... como odeio e ao mesmo tempo rio (porque sofrimento nao exclui meu bom senso de humor), rio escaldante e torrencial, de meu fim.
domingo, 12 de abril de 2015
Conheço teu sorriso, teu enlace... tua forma de fazer meu coração pulsar rápido e pesado, de fazer os olhos cansados não se fecharem... a maldição do sofrimento consciente... não te escolho, solidão, não te escolho, agonia, não te escolho, paixão... tu que vens a mim, ávida pela minha alma, sedenta pelo meu desespero... e consegues... tu que vens a beber fluido de vida, que transforma leveza em pesar, que torna o ardor insustentável... arde... o peito arde... arde tanto... os olhos ardem... companheira pra todas as horas, solidão, bebamos juntos novamente para o resto da vida, um sorriso no rosto. felicidade é saber que nunca será feliz.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
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