segunda-feira, 8 de junho de 2015
que sordido humor tem o destino, o karma... sombrio e ironico, como tem de ser, me colocar nesse caminho; disrupcao em sentido de queda livre. é o empurrador sendo empurrado, os ossos se quebrando ao bater a carcaça ja desesperançosa e frígida, na dureza cinzenta do cimento quente do Rio de Janeiro. é, sou, o caçador que vira presa, provando de seu próprio vício-ocupação, a experimentar o terror indizível da inevitável morte que se aproxima. é o fim, é o fim, é o auto-engano, autovia expressa para o derradeiro fechar de olhos, o arder salgado da lagrima que resfria o olhar cansado de quem muito esperou e muito perdeu, tudo perdeu, pois nao havia mais nada. nao. há. mais. nada. todo sentido, direcao e trajetoria foi para o espaco numa implosao insana de referenciais. é o não ser, enfim, como esperou por isso, se apoderando da existencia! a percepcao foi apoderada, nada percebo, nada sinto, nada... nada... nada... os olhos ainda ardem... maldito karma... maldito destino... como odeio e ao mesmo tempo rio (porque sofrimento nao exclui meu bom senso de humor), rio escaldante e torrencial, de meu fim.
domingo, 12 de abril de 2015
Conheço teu sorriso, teu enlace... tua forma de fazer meu coração pulsar rápido e pesado, de fazer os olhos cansados não se fecharem... a maldição do sofrimento consciente... não te escolho, solidão, não te escolho, agonia, não te escolho, paixão... tu que vens a mim, ávida pela minha alma, sedenta pelo meu desespero... e consegues... tu que vens a beber fluido de vida, que transforma leveza em pesar, que torna o ardor insustentável... arde... o peito arde... arde tanto... os olhos ardem... companheira pra todas as horas, solidão, bebamos juntos novamente para o resto da vida, um sorriso no rosto. felicidade é saber que nunca será feliz.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
domingo, 29 de março de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Coisa
Vem daquele grito entalado a plenos pulmões, que transpira e dói e ensurdece sem som algum. Aquele berro primal, animalesco, de peito arrebatado e nervos florescendo à pele. Vem da urgência do distante, do saudosismo do que nunca houve, da utopia distopizada. Vem dessa raiva, desse ódio intenso que carrego comigo, o ódio de te amar.
quinta-feira, 5 de março de 2015
terça-feira, 3 de março de 2015
Premonição
Aquele sorriso o assombraria por algum tempo. Era sua única certeza no momento. Conhecia-o. Conhecia o sorriso. Era o mesmo sorriso que tinha quando deitava-se com ele, o sorriso de carinho, de prazer companheiro. E agora estampava o rosto dela, como tantas vezes presenciara, como deliciada calmaria.
Só que dessa vez o sorriso esmigalhava-lhe o coração. Já não estavam juntos. E, embora fosse ele quem a tocava, provavelmente não habitava a mente da menina - menina? Já era mulher. Sempre fora -, não era ele a causa do sorriso. Não importava, realmente. Mesmo que fosse, ele ou talvez o eco de tudo o que jazia ainda semi-enterrado, como as ruínas de uma civilização levantadas pelo vento - o vento de seu toque, o vento do sorriso... Mesmo que fosse o motivo do sorriso, era questão de tempo, apenas, até não ser mais. Ninguém é insubstituível, pensou no mesmo instante em que a descarga elétrica da certeza melancólica preencheu seu corpo, dando vida nova às engrenagens mortas da velha civilização... Lembraria do sorriso...
Só que dessa vez o sorriso esmigalhava-lhe o coração. Já não estavam juntos. E, embora fosse ele quem a tocava, provavelmente não habitava a mente da menina - menina? Já era mulher. Sempre fora -, não era ele a causa do sorriso. Não importava, realmente. Mesmo que fosse, ele ou talvez o eco de tudo o que jazia ainda semi-enterrado, como as ruínas de uma civilização levantadas pelo vento - o vento de seu toque, o vento do sorriso... Mesmo que fosse o motivo do sorriso, era questão de tempo, apenas, até não ser mais. Ninguém é insubstituível, pensou no mesmo instante em que a descarga elétrica da certeza melancólica preencheu seu corpo, dando vida nova às engrenagens mortas da velha civilização... Lembraria do sorriso...
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