domingo, 16 de março de 2014

sigo só,
e a gentil senhora que me acompanha mede meus passos.
"siga só", sussurra-me nos ouvidos.
obedeço.
por isso,
se me oferece orgia,
peço masturbação.
e se me oferece a glória,
exijo anonimato.
e se há cidade,
mato.
se é livre,
muro.
se é carinho,
murro.
se é junto,
afasto.
se é doce,
amargo.
se é profano,
sacro.
se é tudo,
vácuo.


terça-feira, 4 de março de 2014

vi aquele rosto infantil estampando sua pele branca, os olhos admirados e sonhadores e, sem te conhecer,  amei.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

esse saudosismo proustiano ainda vai me matar... morte à saudade do que nunca foi! que jogo perverso de realidades, buscando tempos perdidos e eras douradas, fazendo o presente, já sempre, sempre sujo e ingrato, parecer ainda mais imerso em sua própria imundice. e cai o castelo de cartas e por baixo vemos que tudo sempre foi o que é, afinal - puramente... anti-higiênico

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Se a solidão me isola e me torna impotente, é ela, também, que, por ironia, me concede o ímpeto para conquista da minha própria independência. Não deve ser coincidência; aquele que é só, é também aquele que mais conta consigo mesmo. É preciso estar lá para si, se não há mais ninguém. Do resto, apenas abismo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

sinto a tensão meio seca e molhada no peito,
e amaldiçoo as lágrimas que não querem rolar,
fazendo, do meu olho apertado, tumor ardido
que quase não consegue enxergar.

a água rola no corpo, quente
tentando lavar
o que quer de mim que agora morto
em respiração deficiente,
em pulsação ausente,
em consciência inconsciente...
em luto, inquieto e silencioso

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

carta do adeus



Você me deixou... as mãos que pegavam na carne macia e morna agora molhadas de dor, lágrimas e suór, escorregam no mármore frio. Os sorrisos e prazeres converteram-se em caretas e o nada - aquela expressão inexpressiva, representação dolorosa da apatia - fez seu ninho em vida. insossa vida... você me deixou e levou consigo toda a cor do meu mundo. fica aquela massa cinzenta que nada diz, nada forma... te vi outro dia, ponto de cor na névoa cor de coisa alguma. estava feliz... que devo sentir? dor? contemplação? raiva? angústia? vergonha? faço de ti minha algoz. se está feliz, ótimo, que fique assim, mas que saiba também que me matou quando insistiu tanto em viver.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Vê se aguenta

Então lá vai! Eu te amei! Eu te amei com a paixão mais gutural e profunda que pode haver num ser, com o sentimento desesperado da necessidade de ficar junto, com o coração-infarto fulminando em peito longe e perto de seu corpo, sempre a espera de um contato, um contato qualquer. Mulher, eu te amei de largar tudo e vir correndo aos seus braços, de tosar a alma e deixar apenas aquele tumor frágil e bobo que é a sua parte nela. Te amei de dizer que não aguentava mais não te ter, te amei de não poder mais com o mundo, de pensar em morte prematura. Cacete, eu te amei muito, mas muito, mas te amei pra caralho mesmo. Agora... bom, agora, você é insuportável e não do tipo de insuportável que é difícil ficar junto por dor do que poderia ter sido, do que nunca, nunca, será... Não, é o insuportável de puta merda que saco, lá vem ela de novo. fazêuquê? C'est la vie.