um medo profundo; paralisante
menos, breno...
não me reconheço em meu proprio nome... que coisa mais triste
menos, (...)
as vezes me sinto como se não tivesse nome
como se não fosse nada para além da minha corporidade
torporidade
como se minha existencia fosse o suficiente
e que me chamar de breno, quando me chamam, fosse referente a um estranho que não eu
o breno que chamam
me é estranho, é estranho isso
é estranho ser um não ser.
um não breno a quem chamam de breno
sou um simples você
um sujeito oculto no predicado da vida
que metáfora merda
esse sono insone
essa agonia desgraçada
que me pesa os olhos e me faz ter enjoo e taquicardia
que me questiona sobre mim mesmo
pra que? por que? pra quem? por quem?
a verdade é que estamos aqui apenas para estarmos aqui
não confio em mim
nunca confiei
tampouco confio em breno
não há razão para confiar
o mim e o breno...
duas faces de uma coisa só
a mesma duas faces
da impotência e incompetência
fico triste quando não me vêem pelo que sou
mas também ficaria se me vissem
o cru
o esqueleto
a carne flácida
a incapacidade de levantar da cama
e quem sabe
quem sabe
(...)
sinto medo de levantar da cama
e quem sabe
quem sabe
(...)
sinto medo até de terminar a frase.
sinto medo de saber o que quero fazer
sinto medo de não querer fazer nada
a vida é um incêndio que só se apaga com um incêndio maior a lhe cortar o caminho
a lhe comer, antes, o que houver de combustível para o fogo
o que há de combustível para o fogo?
o que move a vida?
vontade
liberdade
desejo
paixão
coisas que quase soam como sinônimos
significa que estamos próximos
o que move a vida?
ela mesma?
a vida é um autoreferente presa em si mesmo
a vida é inatingível
e sinto meu enjoo aumentar
e meu medo paralisar meus dedos que ainda insistem em digitar
não dá mais
já quis me suicidar
não de verdade
mas já pensei na morte como saída
talvez ingênuo de minha parte
sempre fui romântico, até antes de conhecer o romancismo
acho que as emoções fortes e intensas tem algum poder na gente
algum poder de mover alguma coisa
que, apareceu por impulso do acaso a palavra ideal aqui, voltei atrás, a perdi e agora procuro de novo
cisão
algum poder de cisão
com a verdade, com o tudo
e ao mesmo tempo
uma conexão tão forte
querer morrer é entender a vida em toda sua plenitude
enorme
inalcançável
dolorosa
querer morrer agora é
é aceitar que um infarto valerá mais do que mil paixões
e que um tiro é mais poderoso do que uma vida de fogos de artifício
é desejar a cisão
mas a cisão que retifica o que há de resto
é entender o que se deixa e o que se espera
e o que
querer morrer é dar as costas às costas
não fez sentido
mas gostei da sonoridade
querer morrer é viver no inferno
como todos vivemos
e enxergá-lo
é morrer no inferno
e renascer, talvez, em algum outro lugar
algum lugar que essa caixa, essa terrível caixa, não exerça sua inexorável pressão
ou não renascer e simplesmente sair
sair de vez
não vou me matar hoje.
não vou matar o breno hoje
mas algo morrerá
para além do óbvio de que a todo momento algo morre.
algo em mim
não sei o que mas algo morrerá
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