terça-feira, 28 de junho de 2016

terapia

um medo profundo; paralisante
menos, breno...
não me reconheço em meu proprio nome... que coisa mais triste
menos, (...)
as vezes me sinto como se não tivesse nome
como se não fosse nada para além da minha corporidade
torporidade
como se minha existencia fosse o suficiente
e que me chamar de breno, quando me chamam, fosse referente a um estranho que não eu
o breno que chamam
me é estranho, é estranho isso
é estranho ser um não ser.
um não breno a quem chamam de breno
sou um simples você
um sujeito oculto no predicado da vida
que metáfora merda
esse sono insone
essa agonia desgraçada
que me pesa os olhos e me faz ter enjoo e taquicardia
que me questiona sobre mim mesmo
pra que? por que? pra quem? por quem?
a verdade é que estamos aqui apenas para estarmos aqui
não confio em mim
nunca confiei
tampouco confio em breno
não há razão para confiar
o mim e o breno...
duas faces de uma coisa só
a mesma duas faces
da impotência e incompetência
fico triste quando não me vêem pelo que sou
mas também ficaria se me vissem
o cru
o esqueleto
a carne flácida
a incapacidade de levantar da cama
e quem sabe
quem sabe
(...)
sinto medo de levantar da cama
e quem sabe
quem sabe
(...)
sinto medo até de terminar a frase.
sinto medo de saber o que quero fazer
sinto medo de não querer fazer nada
a vida é um incêndio que só se apaga com um incêndio maior a lhe cortar o caminho
a lhe comer, antes, o que houver de combustível para o fogo
o que há de combustível para o fogo?
o que move a vida?
vontade
liberdade
desejo
paixão
coisas que quase soam como sinônimos
significa que estamos próximos
o que move a vida?
ela mesma?
a vida é um autoreferente presa em si mesmo
a vida é inatingível
e sinto meu enjoo aumentar
e meu medo paralisar meus dedos que ainda insistem em digitar
não dá mais











já quis me suicidar
não de verdade
mas já pensei na morte como saída
talvez ingênuo de minha parte
sempre fui romântico, até antes de conhecer o romancismo
acho que as emoções fortes e intensas tem algum poder na gente
algum poder de mover alguma coisa
que, apareceu por impulso do acaso a palavra ideal aqui, voltei atrás, a perdi e agora procuro de novo
cisão
algum poder de cisão
com a verdade, com o tudo
e ao mesmo tempo
uma conexão tão forte
querer morrer é entender a vida em toda sua plenitude
enorme
inalcançável
dolorosa
querer morrer agora é
é aceitar que um infarto valerá mais do que mil paixões
e que um tiro é mais poderoso do que uma vida de fogos de artifício
é desejar a cisão
mas a cisão que retifica o que há de resto
é entender o que se deixa e o que se espera
e o que

querer morrer é dar as costas às costas
não fez sentido
mas gostei da sonoridade

querer morrer é viver no inferno
como todos vivemos
e enxergá-lo
é morrer no inferno
e renascer, talvez, em algum outro lugar
algum lugar que essa caixa, essa terrível caixa, não exerça sua inexorável pressão
ou não renascer e simplesmente sair
sair de vez

não vou me matar hoje.
não vou matar o breno hoje
mas algo morrerá
para além do óbvio de que a todo momento algo morre.
algo em mim
não sei o que mas algo morrerá

quinta-feira, 23 de junho de 2016

ando me sentindo flutuante, as ultimas semanas foram meio sonho meio pesadelo - jamais real.



ando me sentindo meio triste... mas meio eufórico... todas as emoções simuladas no coração de pedra que eu sei que carrego no peito. de pedra... a angústia ao reconhecer isso é falsa.



ando me sentindo
vou sentir saudade

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O êxtase de estar
estar
estar
estar
ser
ser
ser
o quê

passa carga elétrica no corpo vibração instantânea ligação direta com algum tipo espírito que reside no tudo que me diz que estou vivo vem pra mim com força e fome de vida

mas

porrada no queixo e nocaute no primeiro raunde

a apatia e o isolamento destacam-me da realidade
realidade?
entendo que a subjetividade nos cria e cria o mundo ao redor
que mundo?
estou só
estou nada

nota mental: lembrar sempre que sou um merda

me invade de nova como sopro divino o vigor e a necessidade de ser jovem. de experienciar a mim mesmo

tapa na cara e maldita ojeriza de mim mesmo.

esquizo bi polaridade cotidiana

abrir a porta para a loucura tem seus riscos

não ouso prosseguir.

não ouso ousar.

continuo sem me entender no mundo, sem me entender em mim mesmo...

sinto que preciso viver. o externo me definirá.

não posso contar com o externo...

"mas amar é sofrer
mas amar é morrer
de dor
xangô meu senhor
saravá
me faça sofrer
mas me faça morrer
mas me faça morrer


de amar"